ARTIGO: Jessie J fala de crescimento com ‘R.O.S.E.’: “Achei que tinha perdido a minha aptidão”

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Passaram-se já três anos desde o último álbum de Jessie J, “Sweet Talker” e agora ela volta com um – perdoem o trocadilho – estrondo: “Bang Bang”.

Nesta manhã (15 de Setembro), Jessie J publicou “Think About That”, a canção principal do seu quarto álbum, e o vídeo que a acompanha. Durante um encontro exclusivo com Billboard no Hotel Sunset Tower em Hollywood, a cantora notou a diferença entre o seu lançamento em 2011 e a pessoa que é hoje: “Estou mais certa daquilo que apoio e com menos medo”, diz ela, “Estou mais corajosa agora embora provavelmente pareça mais corajosa naquela altura. Agora deixo a minha força interior falar”.

O que se vê em duas outras canções do álbum já ouvido por Billbord, o hino de fortalecimento “Queen” (“Até as mulheres mais fortes vão precisar desta música em alguma altura” ela diz) e “Not my Ex”, um conto cauteloso sobre carregar problemas de relações passadas para uma nova relação. Um vídeo para esta ultima canção será filmado este fim de semana.

Estas duas canções e “Think About You” estão entre as 16 em que Jessie J está a trabalhar para a lista final do álbum “R.O.S.E.”, que deve chegar no início do próximo ano. “Real Deal” é outra canção que ela escreveu para ser publicada em Agosto e usada em parceria com a campanha da M&M’s. “R.O.S.E.” abre com uma oração e depois continua com “Think About That”. Isso eu sei.” disse Jessie J com uma risada.

Os vocais com alma de Jessie J, contrapostos com pop, R&B/hip-hop e elementos de electrónica, chamou a atenção nos Estados Unidos em 2011 com o êxito de “Price Tag” que contou com a participação de B.o.B., chegando a 77 milhões de streams. Um ano depois, voltou ao número 6 do top com “Domino” (65 milhões de streams). Com “Bang-Bang” em 2014, com a participação de Ariana Grande e Nicki Minaj, Jessie J passou 16 semanas no top 10, tendo sido até o número 3 (453 milhões de streams). Mas é uma Jessie J mais franca e determinada que faz este retorno como evidenciado pelas letras e vocais poderosos que ouvimos em “Think About That.”.

A compositora e cantora inglesa também revelou o seu itinerário para uma tour mais íntima de 11 dias que inicia a 8 de Outubro em Birmingham no Reino Unido e conclui nos Estados Unidos em Nova Iorque (24, Out), Chicago (25, Out), Los Angeles (27, Out) e São Francisco (28, Out). A lista completa de datas pode ser encontrada nos seu site oficial. Bilhetes estarão disponíveis ao público a partir de 20 de Setembro às 10 da manhã (hora local).

Depois de dar dicas de maquilhagem a fãs durante um chat online para a Make Up For Ever, uma Jessie J descontraída foi comendo batatas veggie e falando com a Billboard sobre a sua transformação em “R.O.S.E.”

Sobre o seu hiato entre álbuns: Nada mais nada menos do que crescer como mulher, de 25 para 30. É uma altura importante. Tudo o que aconteceu nesses três anos pode ser posto em quatro palavras que representam R.O.S.E. – R: Realização, O: Obsessão, S: Sexo, E – Empowerment (Fortaleccimento). Eu estava a reavaliar a vida: amor, desgosto, decisões de negócios, se já teria conseguido atingir o que queria, se era feliz onde estava. Nos dois anos em que fiz o The Voice na Austrália, fui diagnosticada com alguns problemas de saúde de que não me sinto preparada para falar e que tive de enfrentar como mulher. Ao mesmo tempo perdi os meus avós e não tive tempo de lidar com essa perda. A parte mais difícil de ser um artista é ter de abrir as tuas feridas para curar as feridas de outras pessoas e na maior parte das vezes não tens tempo de curar as tuas.

Eu precisava de estar com os meus verdadeiros sentimentos. Não estava a gostar da música que estava a fazer como deveria. Não estava a escrever porque não queria fazer música que me me tirasse dali. Queria fazer música que me colocasse no sentimento, Mas para fazer isso precisava de estar realmente forte; de saber que que não iria ser empurrada e cair. Por isso demorei tanto tempo. Acho que nunca aprendi tanto sobre mim mesma noutra altura da minha vida.

O que ela aprendeu: Que sou bastante normal. Gosto de fazer grandes caminhadas, fazer exercício, bowling, visitar museus, cozinhar e comer melhor, meditar, rir, ver o que se passa no mundo e saber o que posso contribuir. Voltei a descobrir quem é a Jessica. Não ia desistir de mim. Era eu, na realidade, a não querer desistir de mim.

A colaboração com DJ Camper em “Think About That”: Foi em Setembro do ano passado enquanto trabalhávamos na campanha da Make Up For Ever. Ele colocou o ritmo de “Think About That” em repetição antes de sair para um intervalo. Eu chamei-o de parvo porque ainda não me sentia criativa. Não tinha escrito nenhuma canção durante dois anos, só alguma poesia. Mas sentada ali, a ouvir o ritmo, as palavras começaram a sair. Eu estava na cabine de gravação com o engenheiro quando o Camper voltou. “Se tu não escreveres música” Disse-me ele “Vou ficar mesmo zangado. Isto é o que tu fazes e quem tu és ”. Para alguém que eu mal conhecia me dizer isso… Acho que ele não percebe o impacto que aquele momento teve em mim, quando alguém me estava a celebrar por algo que eu não era celebrada há muito tempo. Fui descoberta pelas minhas composições e letras mas a fama leva-nos por caminhos diferentes. Não escrevi “Bang, Bang”, “Burn It Up” ou “Masterpiece”. Senti que tinha perdido a minha aptidão, o que me fazia especial.

A mensagem no vídeo de “Think About That”: Eu queria que a história fosse simples porque eu queria que as pessoas ouvissem a letra. Eu escrevi o tratamento e editei eu mesma com o diretor Erik Rojas e o diretor criativo Brian Ziff, que também fez as filmagens. O vídeo de R.O.S.E. termina comigo de joelhos a segurar uma rosa, e estou amarrada quando o vídeo de “Think About That” começa comigo de joelhos num espaço vazio, segurando a rosa e rasgando-a. A máscara e a rede que estou a usar representam-me a viver por outras pessoas que me magoaram. Então agarro-me a mim mesma; como que a retomar o poder. É a minha parte favorita do vídeo.

A maior diferença entre R.O.S.E. e os seus álbuns anteriores: As minhas influências têm sido Jill Scott, Erykah Badu, Lauryn Hill e Whitney Houston. A música que fiz para este álbum é a música que eu ouço. Era a característica principal que eu queria alterar. Eu queria pôr o álbum em casa e querer ouvi-lo – e quero. É como maquilhagem que adoras, noutra pessoa pode ser completamente oposta àquilo que tu poderias usar. Para mim, eu acho que a minha força, e o tipo de música que sou boa a fazer é pop; Mas eu queria chegar mais fundo, e por isso isto foi tão difícil. Tive que evitar algumas das coisas que se tinham tornado naturais não-naturais para mim.

Tem piada. Quando ouço o material que escrevi aos 17 anos, é mais como isto. Mas não era bom para a rádio. Por isso quando assinei contrato era “temos de ser mais pop” e eu fui por aí. Tornei-me numa máquina de pop e cheguei ao ponto de “Estou aborrecida agora”. Não há muita música com sentimento que é também comercial. A música tem que passar o teste do tempo e também refletir os tempos como a Nina Simone disse. Existem tópicos neste álbum que eu sei que vão fazer alguns dos meus fãs sentir-se desconfortáveis. Mas não devíamos sentir-nos sempre seguros.

Fonte / Tradução por A. Maia

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